domingo, 18 de novembro de 2012

A Dor Lombar durante a Gravidez


A dor lombar é uma queixa comum que ocorre em 60-70% das mulheres grávidas. Esta pode começar a qualquer momento durante a gravidez, e cerca de um terço dessas mulheres irão sofrer de dor severa.

Existem ainda poucos estudos disponíveis sobre a intervenção do fisioterapeuta nas mulheres grávidas que sofrem de dor lombar e, por essa razão, uma abordagem generalista é mais frequentemente utilizada, apesar das precauções que devem ser tomadas no tratamento desta população específica.

A origem exata da dor lombar durante a gravidez é desconhecida, mas existem fatores conhecidos que se crê contribuírem para o seu surgimento:
  • Durante a gravidez ocorrem alterações hormonais, especificamente a libertação da hormona relaxina, que contribui para a laxidez ligamentar, causando instabilidade no complexo articular da bacia.
  • O aumento de peso, que é em média de 11-16 Kg durante a gravidez. O ganho de peso aumenta a quantidade de força aplicada sobre as articulações e altera o centro de gravidade. O deslocamento anterior do centro de gravidade causa hiperlordose da coluna lombar, o que coloca pressão adicional sobre os discos intervertebrais, ligamentos e articulações, que pode levar a inflamação articular.
  • Para além disso, os músculos abdominais são esticados, ficando enfraquecidos e dando menos suporte à região abdominal. Pode dar-se uma outra condição chamada de diástase dos retos abdominais, que é a separação do reto abdominal na linha alba, levando à má postura e dor lombar.
  • O peso adicional pode comprimir o plexo lombossacral, dando também sintomas irradiados pelas pernas.
  • Existem teorias adicionais de que alterações vasculares podem ocorrer durante a gravidez, incluindo mudanças de pressão na veia cava e aorta que levam à retenção de água, hipervolemia, diminuição do débito cardíaco, baixa da pressão arterial e elevação da frequência cardíaca, o que pode levar à isquemia e mudanças metabólicas, induzindo a dor lombar.
  • Outros fatores de risco para dor lombar durante a gravidez incluem uma história prévia de lombalgia, abortos múltiplos, e fumar. 


Sintomas

 O início mais comum tende a ser durante o 5º e o 6º mês de gestação, e a dor geralmente vai piorando ao longo do dia, com o acumular do cansaço. 67% das mulheres sofrem de dor durante a noite. Fatores que agravam a dor incluem: 
  • Longos períodos de pé, sentada, 
  • Tossir ou espirrar, 
  • Andar longas distâncias
  • Fazer esforço durante a evacuação. 

Durante o exame físico, os músculos paravertebrais estão dolorosos à palpação, a descrição da dor não é localizada e pode ser intermitente. É possível que a dor irradie para baixo até à barriga das pernas.
No exame de uma paciente que está grávida, o posicionamento é uma consideração chave. Não é aconselhado ficar demasiado tempo deitada de barriga para cima, devido ao peso do útero sobre a veia cava e estruturas vitais. O exame deve incluir a observação da postura e da marcha, avaliação neurológica para descartar patologia subjacente, amplitude de movimento, os testes musculares, palpação, testes de comprimento muscular e a avaliação da mobilidade articular. Devido ao nível de dor e incapacidade da paciente e, potencialmente, o tamanho do abdómen, certos testes e medidas podem ter de ser modificados para esta população.

Tratamento

Como fisioterapeuta, é importante perguntar à paciente se está a ser acompanhada regularmente por um ginecologista-obstetra, e se foi dada alguma contraindicação relativa ao exercício. 
Uma série de cuidados e conselhos podem ser dados para controlar a dor lombar durante a gravidez:
  • Encorajar a grávida a dormir de lado (pode utilizar um travesseiro em forma de cunha),
  • Usar meias de descanso para promover o retorno venoso para o coração e reduzir o edema,
  • Cintas de apoio,
  • Massagem suave,
  • Uso paracetamol, se aprovado pelo médico (AINEs são contraindicados).

Precauções durante o exercício e tratamentos de fisioterapia incluem:
  • Evitar levantar pesos ou prender a respiração durante a execução de exercícios,
  • Evitar calor húmido, ultrassom e estimulação elétrica na parte inferior das costas.

O exercício é contraindicado nestas situações:
  • Sangramento vaginal,
  • Tontura ou sensação de falta de ar,
  • Dor no peito ou dor de cabeça,
  • Fraqueza muscular, dor ou inchaço na barriga das pernas,
  • Contrações uterinas, diminuição dos movimentos fetais,
  • Vazamento de líquidos pela vagina.

Após revisão da literatura, intervenções que demonstraram ser eficazes:


Mobilização postero-anterior em decúbito lateral


Técnicas de energia muscular, oferecendo resistência aos flexores da anca enquanto se estabiliza o sacro


Fortalecimento do gluteo médio com elástico em decúbito lateral


Fortalecimento abdominal na bola.


Fortalecimento dos dorsais com estabilização da articulação sacro-iliaca.


Para além destes, estão também indicados exercícios aeróbicos: caminhada, bicicleta, natação, numa intensidade baixa a moderada. 


Fonte: http://www.physio-pedia.com/Low_Back_Pain_and_Pregnancy

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